Amazônia

Amazônia, viva essa experiência: dicas e roteiro

Turismo de Experiência é um conceito de turismo que busca se contrapor ao chamado Turismo de Massa, valorizando experiências autênticas que fujam do tradicional binômio contemplação + descanso, seja aprendendo algo novo, vivendo algo inusitado, saboreando os prazeres da mesa ou ainda se hospedando em uma comunidade …

Wikipedia

Em julho de 2016 embarcamos para a viagem dos meus sonhos: Manaus! Eu tinha muitas dúvidas e não pesquisei muito bem como gostaria na época pois minhas férias estava com risco de alteração, mudaram a data duas vezes e ai resolvemos tudo na loucura.

Até dois anos atrás, quando eu ainda tinha carteira assinada e férias do mundo corporativo, elas sempre eram marcadas para o mês de julho. Isso encarecia e muito nossas viagens, mas sabe o lado bom disso? Eu sempre comemorei meu aniversário viajando…

Nossa viagem foi de 12 a 19 de julho, saimos de SP Guarulhos e fizemos uma escala em Brasilia (fiz um post no Instagram de como aproveitar essa escala – clique aqui). Economizamos com as passagens pois resgatei com pontos na latam. Na época se não me engano saiu por 14 mil pontos Múltiplus cada um, ida e volta! Foi um super achado, lembro que demorei pra ir pois passagens para lá eram sempre caras.

Nosso roteiro ficou dividido em três noites numa comunidade ribeirinha (experiência imperdível) e três noites num hotel no centro de Manaus. Essa divisão ficou perfeita para esse roteiro porém fiquei com muita vontade de conhecer a região de cachoeiras (Presidente Figueiredo) e eu também iria pro interior do estado, a região de Novo Airão por exemplo – então pesquise antes e caso interesse, separe mais alguns dias.

Chegamos em Manaus tarde da noite, e dormimos numa república estudantil. Eu tenho uma amiga que estava fazendo doutorado lá na época, ela estava de férias mas me ofereceu ficar lá. Nós aceitamos a primeira noite pois chegamos tarde e só iriamos dormir algumas horas para dia seguinte bem cedo partir para nossa hospedagem na selva. Eis que já começamos com aventura: era uma casa grande, antiga, num condomínio cercado por mata, no meio da cidade… ficava próximo ao INPA. Fomos para o quarto que deixaram pra gente, tinha uma janela que estava sem vidro, com pano cobrindo e estava um pouco sinistro, além disso minha imaginação estava a mil, afinal eu estava na Amazônia! Dormimos bem receosos e no meio levamos um enorme susto com um gato entrando pela janela!

Dia seguinte cedo, partimos para encontro do nosso transfer. Ele havia combinado que nos pegaria em qualquer lugar que estivéssemos, porem depois argumentou que era muito “fora de mão”. Nós, sem café (um desespero), saímos com malas grandes e pegamos um ônibus em pleno horário de pico, em dia de semana. Imaginem a cena? Os dois perdidos, com muitas malas e ônibus lotado? Descemos numa padaria próximo ao local combinado (pedimos para o cobrador nos ajudar), e finalmente tomamos um café enquanto aguardava.

Andamos uns 50 minutos de carro, num certo ponto paramos no acostamento da estrada, onde há uma barraquinha com algumas bebidas e comidas, tipo uma parada de apoio. Andamos alguns metros no mato, e à frente estava o barco nos aguardando na beira do rio, com o senhor proprietário da pousada. Dali foi mais uma grande aventura, navegamos cerca de uma hora nesse barquinho, acho que chamam de voadeira. Nós e aquela imensidão de rio e floresta, coisa de linda de ver…

Amazônia

Chegando na pousada, enorme toda de madeira, estilo palafita… descobrimos que estavam hospedados somente nós e mais uma família naquele dia, confesso que a noite fiquei insegura. Pela janela do banheiro, a gente via o fundo da pousada e era só mata fechada, tudo em volta era mata. Foi muito engraçado pois além do cenário tínhamos em mente aquela Amazônia dos programas da National Geografic, Discovery e Globo Reportér que vivíamos assistindo, achando que a qualquer momento apareceria uma onça.

Segunda noite da vigem e pela madrugada levamos outro susto, e foi daqueleeeees!!! Dormi já com medo e no meio da noite acordei gritando desesperada com algo em cima de mim, e eu jurava que era uma onça… Lucas levou o maior susto. Apesar do desespero, foi apenas o mosquiteiro da cama que caiu em cima de nós! Sério gente, estou rindo muito aqui lembrando dessa cena…

A pousada é bem simples mas muito gostosa, a família toda que trabalha lá. Fica no meio de uma pequena comunidade, às margens do Rio Negro e foi uma experiência única. Fizemos muitas atividades, tudo ali com eles mesmos. A gente ia pescar e depois jantava os peixes da pescaria, teve banana frita, sucos naturais, tudo local. Era passeio dia todo, desde cedo até pôr do sol, e à noite a gente jantava e descansava, uma paz incrível: sem tv nem celular… (tv apenas na área de refeição da pousada e celular pegava apenas num ponto da comunidade na margem do rio).

E vamos ao roteiro?

Dia 1 – Translado para pousada na selva: Carro + barco. check-in na pousada de selva, pesca de piranha e pôr do sol de canoa pelo rio negro. No jantar foram servidos os peixes (piranhas) que pescamos.

Dia 2 – Nascer do sol e café da manhã com produtos caseiros. Caminhada pela mata com histórias locais. Passeio pela comunidade, conversa com senhor da borracha (ex.soldado). A tarde, nado com botos supervisionado com equipe numa prainha próxima (incrível). Após jantar: focagem de jacaré (passeio de canoa pelo Rio)

Dia 3 – pedimos para nos deixar na praia do botos (passeio do dia anterior) e curtimos parte do dia lá, sozinhos sem ninguém, só nós, os botos e jacarés… kkkkk  No retorno, fomos novamente pescar piranha: o casal novo na pousada que ia fazer a atividade e chamaram pra ir junto! Casal paulistano, ela bióloga, nos identificamos logo de cara… bons papos e muita risada!

Dia 4 – visita ao engenho de farinha, conhecendo mais sobre a tapioca desde plantio até degustação com biju feita na hora acompanhada de suco natural de cupuaçu.

Depois seguimos o passeio de canoa com histórias do Rio e Mata, inclusive passamos pelo antigo hotel Uirapuru onde fizeram filmagens do filme Anaconda. Check-out na pousada, retorno à cidade.

Hotel uirapuru

Fizemos check-in no hotel em Manaus, tomamos um banho e já saimos! Ficamos hospedados a 100 metros do Teatro Amazonas e foi ótimo! Na mesma noite ainda conseguimos assistir uma peça de comédia no Teatro. Aliás, os funcionários muito atenciosos e nos permitiram dar uma volta em suas dependências antes da peça começar. Depois, provamos tacacá numa barraquinha na praça, e jantamos num restaurante também na praça: costelinha de Tambaqui, coisa maravilhosa.

Dia 5 – Fomos andando até a feira local (só tem aos domingos), compramos pimenta e chapéu. Andamos até o Mercado municipal que já estava quase fechando, e seguimos para o Porto Fluvial (do lado).

Lá mesmo já fechamos um passeio para o encontro das águas. Ficamos pechinchando e conseguimos dividir com um casal. O passeio faz várias paradas além do encontro: pesca esportiva de pirarucu, parque da vitória régia (Parque Ecológico do Lago Janauari) com restaurante flutuante para almoço, observação e aproximação de animais selvagens. Foram cerca de 5 horas de passeio.

No retorno, resolvemos esticar até a praia de Ponta Negra, pegamos carona com o casal que dividimos o passeio (eram de Manaus) e fomos inclusive conversando sobre a cidade. Era domingo e a praia estava lotada. Tem várias quadras esportivas, banheiro, barracas de bebida e comida, calçadão. É muito legal, tem uma mega estrutura! Inclusive tem hotéis lindos nessa região! Após o longo dia de passeio, curtimos um belo pôr do sol na Ponta Negra.

Da praia resolvemos ir até um shopping que estava próximo, aproveitar para jantar por ali mesmo e conhecer (quando temos tempo gosto de ver comércio local, estilo de roupas e preços). Algumas horas depois, finalmente pegamos um ônibus (transporte público) e chegamos moídos no hotel.

Dia 6: tomamos café da manhã e ficamos conversando se íamos ou não ao MUSA (museu da Amazônia) pois tínhamos visto pelo maps que era bem longe. Ouvimos uma família dizendo que iam lá também  e combinando entre eles. O Lucas se aproximou e perguntou como iam, se estavam com algum passeio ou transfer. Por fim estavam de carro e nos convidaram para ir junto.

Era uma família paulista de seis pessoas e dois carros alugados (pai, mãe e quatro filhos adolescentes). Foram super simpáticos, e assim conhecemos mais pessoas especiais, papeamos bastante.

No retorno ao hotel, resolvemos caminhar novamente até o Porto, passamos pelo centro olhando lojas e até compramos um celular pro Lucas! No Porto ficamos observando as idas e vindas. É incrível, parecia uma grande rodoviária, chegava e saia muita gente, vários tipos de embarcações que eu nunca tinha visto, pareciam ônibus aquáticos. Ai me deu muita vontade de entrar em um desses e desembarcar numa cidade bem no interior do Amazonas sabe? Mas, nosso voo era dia seguinte, e não pudemos ir!

Como esse dia era meu aniversário, fomos novamente jantar na praça do Teatro (é bem gostoso, são vários restaurantes e barraquinhas com mesas ao ar livre).

Dia 7: dia de ir embora, mas nosso voo era só final da tarde então lógico que eu ia aproveitar né? Eu que amo praia não resisti: bora para Praia de Ponta Negra! Passamos a amanhã toda lá até perto do almoço, fomos e voltamos de transporte público usando o maps! Tomamos banho, fizemos check-out do hotel, e fomos almoçar com uma amiga.

Sabe aquele casal que fizemos o passeio de barco juntos? Trocamos telefone e ela se prontificou a nos levar num restaurante famoso de lá e depois ainda nos deixou no aeroporto.

Agora que estou escrevendo tudo isso, estou relembrando o quanto essa viagem realmente foi especial. Fizemos amizades incríveis, conhecemos lugares surreais, comida maravilhosa, natureza exuberante… Foi uma experiência única!

Dicas extras onde comer em Manaus:

Manaus tem peixes incríveis que nós aqui do sudeste (não sei dizer outras regiões mas nunca tinha visto), nem imaginamos. O tambaqui e o pirarucu são peixes incríveis e aconselho até mesmo quem não curte peixe ao menos provar: é bem diferente. Achei um misto de peixe e porco, não sei explicar. Li uma frase que nunca esqueci: “As peixarias estão para Manaus assim como as churrascarias para Porto Alegre”.

Além dos peixes que são muitos, você vai ver e ouvir outros nomes comuns por lá, da culinária típica: Tucupi, tacacá, jambu, banana de pacovã (banana-da-terra), muita farinha, e também muitas frutas, como açaí, cupuaçu e bacuri (legumes não vi tanto).

Baseados na nossa experiência:

  1. Não deixem de provar o Tambaqui de Banda, é prato principal e também o nome do restaurante, fica na praça do Teatro. É incrível demais de gostoso, e foi tão bom que fomos duas noites jantar lá.
  2. Coliseu: A amiga que fizemos no passeio do barco, estava morando em Manaus e nos levou para almoçar num restaurante mais tradicional de lá, num bairro residencial e nada de turistas. É um restaurante self-service com grande buffet e pudemos provar vários pratos típicos da região.
  3. Provamos o tacacá numa barraca de rua tradicional (tacacá da Gisela) ali na praça do Teatro também, mas não tivemos sorte… acho que deu alguma alergia, ficamos com coceira e grosseirões na pele. Ainda bem que pegamos um só para dividir, uma porção pequena.

Dicas extras: onde se hospedar em Manaus

Eu sou apaixonada por natureza e pra mim foi imprescindível a experiência que tivemos na selva. Mas para quem não curte muito, pode ficar em Manaus e fazer os passeios avulsos ou combinados à sua escolha, na comodidade da cidade.

Há hotéis, hostels, cruzeiros, pousadas, de luxo ou bem simples, na cidade, na selva… É bem democrático. Ficar no centro, ao lado do teatro é ideal para quem dividir a hospedagem entre cidade e selva, ou para quem tiver menos tempo ou de passagem pela cidade. Facilita muito, fizemos quase tudo a pé. Agora se optar por ficar somente em Manaus, os hotéis na orla de Ponta Negra são imperdíveis. Já que não vai pra selva, pelo menos poderá acordar e dormir com o visual incrível do Rio Negro. 

Em Manaus recomendo ficar:

📍centro histórico próximo ao Teatro
📍orla de Ponta Negra

Para a experiência de selva os mais famosos são caros, mas pesquisando você acha pousadas simples mas que proporcionam uma vivência única – que foi o nosso caso.

Nossas escolhas foram:
🏡Selva – @pousadadeselvajacare.amazonia
🏢Manaus – Hotel do Largo

Dicas extras: Curiosidades

Tem mosquito? Depende da região. Onde ficamos no Rio Negro não tinha NADA e falaram que é devido acidez da água

É caro? Nem um pouco! Claro que tem hotéis de luxo, lodges, cruzeiros.. mas no geral foi um destino bem econômico, achei bem democrático e bem mais barato que muitos destinos que já fizemos.

Precisa de vacina? Não é obrigatório mas recomendado: febre amarela, atualizar a vacina antitetânica e contra a hepatite B, e hepatite A.

Quando ir? Pode ir ano todo, porém para evitar período de chuvas, prefira de junho a novembro. Já que existe a época das cheias e seca, pesquise sobre qual paisagem interessa mais.

Clima? Muito quente e muito úmido, fomos em Julho (lá é verão, batia uns 38°graus) não conseguia usar camiseta. É bem úmido e parece que estamos sempre melados. Leve roupas leves, neutras e confortáveis, não esqueça de proteção como boné, chapéu, óculos. No “inverno amazônico” é calor também porém chove.

Quantos dias ficar? Depende do que deseja conhecer: selva, cachoeiras, praias, Manaus? Pelo roteiro já dá pra ter uma ideia, alie as dicas ao seu gosto pessoal e tempo disponível.

Gostou? Animou para conhecer essa região incrível? Deixe aqui abaixo seu comentário, dúvida ou sugestão. Me siga também no Instagram @sopensoemviajarr para mais dicas, fotos e roteiros.

Para quem quiser ver mais sobre turismo de experiência, veja as dicas imperdíveis dos blogs a seguir:

12 comentários

  1. Quanta experiência maravilhosa você vivenciou na Amazônia. Sem dúvida é uma região incrível, repleta de atrativos que proporcionam incríveis experiências com a natureza, sem falar nas experiências gastronômicas e culturais, né?? Amei seu texto com dicas “Amazônia, viva essa experiência: dicas e roteiro”. Muito obrigada!!!

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  2. Definitivamente preciso muito conhecer a Amazônia. Adorei ler teus post sobre essa experiencia, dicas e roteiros. Obrigada. Agora preciso me programar pra ir quando tudo isso passar.

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  3. Como eu ri com o mosquiteiro, de chorar!!! Tô louca para viver essa experiência amazônica. Mas escrevendo para o meu post, li sobre os botos e fiquei um pouco receosa com esse passeio. Você pode dar mais detalhes sobre ele? Eles atraem com iscas ou algo do tipo? Ficam segurando o animal?
    Eu sei que no segundo dia a interação foi bem natural, mas o primeiro da programação também foi sem forçar?

    Curtido por 1 pessoa

    1. Quanto aos botos, foi bem natural não forçaram em momento algum, não seguraram. Mas eles os atraem com peixe na mão. No dia seguinte que ficamos sozinhos no local, do nada eles apareceram, e a gente não tava com nada na mão… Claro que deve ter o impacto de estarem condicionados a ir buscar comida fácil no local. Mas de todos paseeios que pesquisei na época esse era o menos invasivo. A gente tava bem no meio do rio mesmo, meio do nada. Essa prainha é o ponto de apoio mas é bem isolada.

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  4. Menina, tô chocada com sua experiência na Amazônia! Deve ter sido sensacional pescar seu próprio alimento! Se bem que acho que teria dó depois… RS
    E essa do mosquiteiro foi sensacional! Acho que teria a mesma reação! Kkkkkk
    Salvei tudo para quando for!

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  5. Que post incrível! Cheio de dicas para viver uma experiência incrível na Amazônia. Eu me encantei com esse roteiro e fiquei com vontade de fazer. Toparia essa hospedagem sim! Um verdadeiro turismo de experiência!

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  6. Que demais essa sua experiência na Amazônia! Salvei suas dicas e roteiro, para quando eu for. Essa região é linda e repleta de opções, né? A história do mosquiteiro foi demais !kkkkkkk

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  7. Esses dias eu estava lendo sobre turismo na Amazônia e eu confesso que já tinha ficado com vontade, depois de ver o seu post então, nem se fala!!!
    Mas olha, fico com medo é de tanto mosquito kkkkkk sou extremamente alérgica, mas pelo que você contou, vale a pena fazer esse turismo de experiência

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