Perrengues de viagem – Uma noitada em Viena

Pensam que na Europa só tivemos dias lindos, maravilhosos e roteiros perfeitos? Na na ni na não! Tivemos varias situações em que tivemos que contar com nossa paciência, resiliência e senso de humor, evitando contaminar o clima da viagem toda. Afinal, imprevistos acontecem em qualquer lugar do mundo!

NA HORA A GENTE SOFRE, mas depois… são lembranças e histórias que ficam para vida toda.

Dia 46/86 Áustria, meados de setembro/2018.
Saímos cedinho de Villach e fomos para estação de trem. Pegamos um passe regional ilimitado que podíamos usar até 3am. Muita confusão para entendermos como funcionava mas no fim deu certo. O passeio de trem nesse país foi incrível, é tudo lindo, cidadezinhas e #vilarejos, campos, igrejinhas, #castelos Tudo parecia um quadro.

Avistamos uma cidadezinha #medieval com castelo no topo, descemos! Era cerca de 12h lá.. a cidade e estação tão pequena, nem tinha onde guardar bagagem, ninguém para pedir informações. Entçao, fomos andando…. ficamos maravilhados com nossa escolha certeira. Mas a cidade estava deserta, não tinha ninguém na rua, silêncio, nada aberto​, talvez erramos no horário! rsrsrs Parecia até um set de filmagem, não parecia real. Andamos por cerca de 3h com #mochilas nas costas (eu com 10kg e Gordo com uns 18kg), um calor insuportável mas uma felicidade enorme.

Depois, continuamos a saga de trem para então chegar a Viena. Como havíamos pego um ticket regional promocional, não podíamos pegar trens rápidos e/ou diretos, com isso tínhamos que fazer várias baldeações (o funcionário da estação em Villach fez todo o roteiro pra gente), seriam cerca de 7 horas de viagem.

Eis que num momento da viagem achei que havia mudado muito a paisagem e idioma estava estranho (mais ainda), olhamos no maps e estávamos na Hungria!! Kkkkkkk  Ao descer na estação, não tínhamos nem moeda local para usar banheiro, só esperamos trem de volta para Áustria. Fomos sozinhos num trem bem antigo de apenas um vagão…

Detalhe: não tínhamos hospedagem em Viena, a ideia era dormir na estação, andar dia seguinte pela cidade e seguir viagem, já que dia seguinte já tínhamos uma passagem reservada para Bratislava.

Até cogitamos dormir na cidade, mas era o fim de semana de encontro da União Europeia, a cidade estava lotadérrima, o que tinha disponível era longe e muito caro!

Quando chegamos na estação central de Viena, cerca de uma hora da madruga, fomos procurar lugar pra dormir e descansar um pouco, e a estação até parecia bem legal, alguns locais confortáveis e eu ja estava até escolhendo onde ficar… Masssss, logo descobrimos que estação iria fechar e abriria novamente somente 4 horas da manhã e então fomos “expulsos”. Os seguranças foram apagando tudo, conferindo se tinha gente e realmente colocando todo mundo para fora. Nós não eramos os únicos lá, tinha família com crianças, idosos, e também mochileiros. Um já conformado com a situação, entrou no saco de dormir e deitou num banco de cimento, em frente a estação, na rua mesmo… Alias, a rua parecia ser nosso destino.

Eis que eu fiquei plantada na porta da estação com cara de cachorrinho perdido da mudança, inconformada até porque eu vi que algumas pessoas ficaram disfarçadamente lá dentro, e me senti injustiçada. Até que então um funcionário comovido com nossa situação veio em nossa direção e foi chamando para segui-lo. Eu, Lucas e dois paquistaneses de terno. Ele nos levou até um hotel próximo (cerca de uns 150 metros) e lá pediu para nos deixar ficar no saguão do hotel. Era um hotel enorme, lindão, com lounge e bar na frente. Fiquei aliviada de ter um sofá para me acomodar e um teto. Ficamos por ali até umas 4h30, o Lucas papeando com um dos paquistaneses, ratinhos passando na rua, e eu tentando dormir. Até dei uns cochilos mas com a confusão toda já perdido sono.  

Ao voltar para a estação, fomos nos acomodar na área de espera, tipo uma aérea de embarque que liberaram e nem era confortável. O Lucas foi cochilar meio que sentado, o segurança deu cutucão nele e disse algo que não podia. Ai depois ficamos observando que ninguém podia deitar, e nem fechar olhos ou algo assim que algum segurança se aproximava e dava uma bronca. Teve até gente que pediram pra sair…

Só sei que após essa “noitada”, ainda fomos (tentar) conhecer a cidade. Mas eu estava dormindo em pé, sério! A gente ia andando, Lucas parava pra ver mapa e eu cochilava encostada em qualquer parede. No momento que chegamos numa praça, pedi pra ele um tempo, deitei no colo dele no banco com sol na cara mesmo e assim dei uma cochilada. Eu fiquei um caco.

Se me perguntarem qualquer coisa de Viena, não sei. O que ficou na memória foi todo esse perrengue de não ter onde dormir…  Depois dessa descobri que a maioria das estações fecham por um período da madrugada, as vezes até alguns aeroportos. Portanto caso queiram fazer como nós, sempre pesquise antes!

Quer conhecer mais histórias de perrengues de amigas viajantes? Temos também:

Viajante econômica – Perrengues de viagem: como dar a volta por cima

Experiência Barbara – Namíbia, campeã mundial do perrengue!

Contos e Encontros – Perrengues de Viagem: Parte 1

Fefa pelo Mundo – Perrengue de viagem: Algumas histórias verídicas

Viagens e Feminices – Perrengue de viagem – Aeroporto de Orly, em Paris

Prefiro Mochilar: Perrengues de Viagem: sobre voos e aeroportos

24 comentários

  1. Nossa, Ju, essa noitada não foi das melhores, né! rs
    Mas os perrengues fazem parte da viagem, que graça teria sem eles! haha

    Beijos,

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  2. Nossa! Nunca imaginei que a estação fechasse assim….tb cogitaria passar a noite lá no lugar de vocÊs …hhehehe ainda bem q você já nos passou essa informação! Que perrengue esse!

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  3. Caraca, Ju! Bom vc ter falado desse perrengue pq eu sempre vejo de ficar em aeroporto pra pagar menos diaria se for pra algum local q seja rapido sabe? tipo em vancouver ia sair cedao, nao quis pagar outra diaria e fui dormir no aeroporto tranquilona rs nem sabia q eles fechavam!

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  4. Eu sou tão certinha que jamais faria uma viagem assim. Não consigo me imaginar sem um teto e sem um banheiro. Kkkk Ainda bem que vcs sobreviveram. Acho que eu não sobreviveria. Kkkk beijos

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  5. Nossa, a história foi até engraçada em alguns momentos, mas realmente, um perrengue desses foi bem triste hein. Tomara que você volte logo para conhecer Viena.

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